quarta-feira, 24 de maio de 2017

"BILHETE PARA A VIOLÊNCIA" - LUÍS ALVES MILHEIRO - LEITURAS 2017 - IX

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"Bilhete para a Violência" foi-me amavelmente oferecido pelo próprio autor e, por isso mesmo, passou logo a ser uma das minhas prioridades de leitura passando-o à frente da fila de livros que tinha (e tenho) em espera. 

Conheço o Luís Alves Milheiro apenas virtualmente das "lides literárias", mais propriamente através de alguns blogues que regularmente visitamos e, sobretudo, através do belíssimo "Largo da Memória", onde tenho visto lindíssimas fotos. 
Há pessoas que, mesmo não havendo contacto pessoal e estando longe, algo as aproxima, talvez pela coincidência ou semelhança de gostos, interesses. sentimentos, etc...

Não terá sido uma surpresa o facto de ter gostado deste livro pois conheço minimamente a escrita do autor, nomeadamente através dos seus excelentes blogues, "Largo da Memória", "A minha carroça de livros", "Viagens pelo Oeste" e "Casario do Ginjal", que visito com frequência.. 

"Bilhete para a violência" aborda um tema bem actual na sociedade portuguesa -a violência no futebol português e, sobretudo, sobre a arbitragem portuguesa-, que julgo nunca ter visto (em livro) abordado desta forma, ao mesmo tempo tão simples mas tão nua e crua. Sabemos que é um tema demasiado obscuro e que mexe com muitos interesses e muita gente da sociedade portuguesa para que haja coragem para ser esmiuçado.

O Pedro Gama é um jornalista desempregado, divorciado, que resolve aceitar um convite de uma amiga que dava aulas no secundário, para passarem um fim de semana junto ao mar.

Este fim de semana, que não corre bem, vai desencadear uma série de situações que vão torná-lo numa aventura cheia de uma violência absolutamente inimaginável numa pequena aldeia em que os seus habitantes se tornam absolutamente irracionais durante um jogo de futebol que opõe a equipa da terra a um rival de uma aldeia próxima. E o absurdo inimaginável acontece... 

História simples mas bem actual que consegue prender-nos (à história e aos personagens). Tive pena de não ter "convivido" mais com o Leonardo o cão amigo que afinal foi dos únicos que lhe deram (ao Pedro Gama) o gosto do que é saborear a amizade.

Obrigado e Parabéns Luís Eme!


A minha foto




sexta-feira, 19 de maio de 2017

JOSÉ SARAMAGO E PORTUGAL

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As convicções iberistas de José Saramago reforçadas pela fraterna relação que manteve com Espanha, mereceram-lhe descréditos e acérrimas críticas, acentuados pela firmeza e precisão das suas declarações e agravadas quando, em 1993, por decisão pessoal, se mudou para Lanzarote. 

Mas José Saramago via-se e entendia-se a si mesmo como um escritor português e nem as injustiças que determinada classe dirigente lhe infligiu, turvaram o seu sentimento de ser português nem afectaram os laços emocionais que o uniam ao seu próprio povo. 

Ao Jornal espanhol El País, em Abril de 1989, confessou:

-Não sei até que ponto Portugal precisa de mim, mas sei até que ponto eu preciso dele. Este país agrada-me, até aquilo que tem de menos bom. Há uma relação muito mais importante do que isso que se chama patriotismo; é uma relação carnal, de raízes. Tenho-a. Sobretudo, procuro saber quem sou, nunca como um ser individual, mas como alguém que está nesta coisa que é um povo e uma história-



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domingo, 14 de maio de 2017

LEITURAS 2017 - VIII - "JOSÉ SARAMAGO - NAS SUAS PALAVRAS"

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Ontem, quando no interior de uma Biblioteca fazia a minha ronda (de autêntico rato de biblioteca) quase diária, uma pessoa minha conhecida com quem, ocasionalmente, costumo beber café, pediu-me a opinião sobre um determinado livro que queria levar para leitura domiciliária, e se eu já o tinha lido; como não tinha, recomendei-lhe outro, "O ano da morte de Ricardo Reis" de José Saramago. Eis um breve resumo do diálogo que na altura encetámos:

-José Saramago? mas os livros dele não têem pontuação.
eu -não têem pontuação? mas já leu algum livro do Saramago?
-ainda não li nenhum, mas é o que tenho ouvido dizer
eu-ó caro amigo isso são apenas conversas de escárnio e mal dizer

Realmente criou-se, de algum modo, o mito de que os livros de José Saramago não teriam pontuação. São apenas palavras maldosas que se inventaram para denegrir um homem que é, ainda continua a ser, ao mesmo tempo amado e odiado, e bem injustiçado foi por alguns governantes deste país.

Naturalmente que este aspecto da pontuação não está isento de controvérsia. Para o professor universitário Carlos Reis, da Universidade de Coimbra, só os comentadores apressados e os críticos que o não leram é que dizem que Saramago não usa pontuação -"um disparate sem remissão possível". 

Saramago é um grande escritor, costumo dizer, o melhor escritor português depois de Camões (obviamente que esta afirmação é minha e, claro, vale o que vale).

O livro que acabo de ler (José Saramago-Nas Suas Palavras) é uma recolha de intervenções/afirmações que o grande escritor português fez ao longo da sua -curta- vida literária, intervenções que, como se refere no prefácio, constituíram um dos traços centrais do perfil intelectual de José Saramago.

Gostei muito deste livro que se lê como um jornal Saramaguiano.

Tem interessantíssimas intervenções de José Saramago feitas por esse mundo fora e fiquei, por exemplo, a conhecer um pouco melhor do seu carácter, que brevemente tentarei abordar.


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José Saramago jovem
 na foto da esquerda, curioso o que me parece ser, na lapela do casaco, o emblema do Benfica 



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terça-feira, 9 de maio de 2017

JOSÉ SARAMAGO E AS MULHERES

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Humildes e leais, generosas e autênticas, a obra de Saramago sustenta efectivamente excepcionais figuras femininas e brilham nas suas páginas, Blimunda, Lídia, Maria Sara, Maria Guavaira, Joana Carda, Maria Madalena, Marta, Isaura...


Sobre as mulheres, são suas estas palavras que confiou a Inês Pedrosa, numa entrevista ao Jornal de Letras, Artes e Ideias, em Novembro de 1986:

-Sinto que as mulheres são, em regra, melhores do que os homens. É como se o homem tivesse renunciado ao ponto de vista viril, marialva, e depois não soubesse muito bem como é que havia de ser. A mulher, ao mesmo tempo que já está a ser, está sempre para ser.



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Blimunda, personagem do "MEMORIAL DO CONVENTO"

quinta-feira, 4 de maio de 2017

JOSÉ SARAMAGO E OS LIVROS

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O Prémio Nobel da Literatura 1998, José Saramago, será talvez o maior escritor português depois de Camões. É um dos meus escritores preferidos. 

Ando actualmente a ler "JOSÉ SARAMAGO - NAS SUAS PALAVRAS", uma selecção de textos respeitantes às mais diversas intervenções do escritor nas várias esferas da comunicação. 

Fala de Lisboa, da Vida, de Portugal, da Ética, de Deus, do Pessimismo, da Morte, da Mulher, de História, do Ser Humano enfim, dos mais variados temas e fala, naturalmente, da literatura e dos seus escritores preferidos:

"Os meus escritores de referência são Montaigne, Cervantes, o padre António Vieira, Gogol e Kafka. O padre António Vieira era um jesuíta do século XVII. Nunca se escreveu na língua portuguesa com tanta beleza como ele o fez."  


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Padre António Vieira, Lisboa 1608-1697, religioso, filósofo, 
    escritor e orador português da Companhia de Jesus 


sexta-feira, 21 de abril de 2017

O MAIS PEQUENO LIVRO DO MUNDO

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Bem lá atrás, na prateleira mais alta da minha pequeníssima biblioteca encontrei um dos primeiros livros que comprei, em 12.10.1978, por 140 escudos (em todos os meus livros anoto a data da compra, o preço e o meu nome),  "Deixe de dizer não sei", uma edição de Setembro de 1978, cheio de pequenas curiosidades. Por exemplo, sobre livros, encontrei esta:

"O mais pequeno livro do mundo é o exemplar único do poema de Harrison Ainsworth, intitulado "Windsor Castle", (1842) oferecido à rainha Mary, da Inglaterra, pelo Sr. Gunneer, que escreveu toda a obra num volume de cem páginas...com um centímetro de altura".

Fui agora tentar confirmar se ainda seria este o mais pequeno livro do mundo mas parece que, entretanto, surgiram outros, sendo que actualmente o recordista será um ainda bem mais pequeno, tem o nome de "Shiki no Kusabana" (flores da época), mede 0,75 milímetros, tem 22 páginas com letras que não ultrapassam 0,01 milímetros, e foi desenvolvido por uma empresa japonesa que o apresenta agora como o livro mais pequeno do mundo, e que o terá colocado à venda, juntamente com uma lupa especial e uma versão maior, por 236 €.


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o mais pequeno livro do mundo

O mais pequeno livro do mundo escrito em português "O Barco e o Sonho" é da autoria do jornalista e escritor micaelense Manuel Ferreira, tem cem páginas, o tamanho de uma unha e pesa um grama. 

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terça-feira, 11 de abril de 2017

"O ADEUS ÀS ARMAS" - ERNEST HEMINGWAY - LEITURAS 2017 - VII

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Quanto mais alto se sobe maior é a queda. É que depositava muitas esperanças neste livro, contudo, foram 347 páginas enfandonhas, de conversa molengona, sem qualquer ritmo que me motivasse para a página seguinte e confesso que só a muito custo cheguei ao fim. Uma completa desilusão. Eu nunca consegui "entrar" no ritmo deste livro.

Esta história de Frederic Henry, um condutor de ambulâncias que, durante a 1ª. guerra mundial, presta serviço na frente italiana, e da sua paixão por uma bela enfermeira inglesa nunca me cativaram, uma página sequer que fosse.

Não tenho muito mais a dizer sobre este livro, todavia, é um clássico da literatura mundial...

Este O Adeus às Armas foi escrito quando Ernest Hemingway tinha apenas trinta anos e está considerado uma das obras primas do autor. Para mim foi um aborrecimento.

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Eernest Hemingway - EUA 1899;  1954 - Prémio Nobel da
Literatura; suicidou-se em 1961



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terça-feira, 4 de abril de 2017

"A AMÉRICA E OS AMERICANOS" E OUTROS TEXTOS - JOHN STEINBECK - LEITURAS 2017 - VI

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"Os Náufragos do Autocarro", "A Batalha Incerta", "A Leste do Paraíso" e "As Vinhas da Ira", são quatro dos livros que li quando ainda era um iniciado nesta deliciosa actividade que é a leitura e que, desde logo, me viciaram na mesma, passando John Steinbeck a fazer parte dos meus escritores preferidos.

Este "A América e os Americanos" é uma pequena antologia que reúne pequenos ensaios e peças jornalísticas que, vão desde alguns artigos de 1936, que serviram de inspiração para o célebre romance "As Vinhas da Ira", até ao último livro que publicou, "A América e os Americanos", de 1966. 

Fiquei a saber, por exemplo, que:

-Shirley Temple, à época uma garota, foi denunciada pela Comissão Dies, tal como John Steinbeck, por terem contribuído com dinheiro para auxílio médico à Espanha lealista e acusados de comunistas.

-Mark Twain não foi levado a sério durante décadas, em grande parte devido ao seu sentido de humor.

Há portanto, neste livro de mais de 450 páginas, muito assunto interessante.

Por vezes, sofremos algumas decepções quando estamos muito tempo sem ler um determinado autor (ou livro) de quem gostámos muito e só voltamos a lê-lo, às vezes passados anos. Não posso contudo dizer que foi este o caso, porque continuo a gostar da escrita deste grande autor, embora, talvez pelos assuntos abordados, considere este um livro datado.


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John Steinbeck  EUA-Salinas-Califórnia 1902-1968




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terça-feira, 28 de março de 2017

JOHN STEINBECK E OS LIVROS


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John Steinbeck - 1902 Salinas (Califórnia) - 1968  Nova Iorque

John Steinbeck é um dos mais célebres, dos mais discutidos e continua (?) a ser um dos mais lidos escritores norte americanos.  A par de Victor Hugo foi um dos escritores que me proporcionaram grandes momentos de leitura. "As Vinhas da Ira" é um dos meus dez livros preferidos.

Depois de um interregno de alguns anos voltei agora a ler (ainda me falta uma centena de páginas) um livro de John Steinbeck, "A América e os americanos" que não sendo dos melhores dele é um livro de crónicas que regista muito daquilo que o mundo viveu e sofreu ao longo do século XX e ainda alguns apontamentos biográficos do próprio Steinbeck.

Por exemplo, a sua relação com os livros:

-Como todos os escritores, Steinbeck gostava de livros:
 "uma das muitas poucas coisas mágicas que a nossa espécie criou". 
 "Nenhum programa de televisão é um amigo como um livro. E nenhuma outra forma , excepto...a música, convida à participação do receptor como o livro."

-No entanto não era um coleccionador de livros pelo seu valor físico: "Nunca encomendei nem quis um livro autografado."

-Steinbeck era perfeitamente a favor do livro barato de capa mole: "o livro de vinte e cinco cêntimos."

"As Vinhas da Ira" e "A Leste do Paraíso" são dois livros absolutamente imperdíveis e que, na minha perspectiva, figurarão certamente para todo o sempre na história da literatura universal.

Ler um livro de John Steinbeck continua a ser um doce momento de prazer! 

quinta-feira, 23 de março de 2017

LIVROS INESQUECÍVEIS

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Há livros que nos marcam, que são absolutamente inesquecíveis e que tencionamos vir a reler um dia. Sobre este, "O PÁSSARO PINTADO" de JERZY KOSINSKI, que li há muito, muito tempo mas que nunca, nunca esqueci, disse o realizador espanhol Luis Buñuel: "Talvez o livro que mais me tenha impressionado". Por seu lado Arthur Miller, dramaturgo norte-americano, que foi casado com Marilyn Monroe, afirmou: "Um feito literário muito importante e muito difícil de conseguir".

Livro baseado nas memórias de infância do próprio autor e que retrata as deambulações de uma criança que foi deixada ao cuidado de uma velhota, durante a 2ª. Guerra Mundial. A velhota responsável morre, e o rapaz vê-se sozinho ao frio, em busca de abrigo e de alimento, sofrendo os mais tenebrosos actos de agressividade e maldade humana. Um relato de grande sofrimento e de uma grande tristeza.



sábado, 11 de março de 2017

"O ESTRANHO DEVER DO CEPTICISMO" - MÁRIO MESQUITA - LEITURAS 2017 - V

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Contrariando o que se pode ler na contracapa deste (bonito e apetecível) livro, a sensação com que fiquei ao ler estes comentários reunidos, foi que a grande maioria deles foram escritos num tempo já muito distante e que, ainda por cima, estão povoados de personagens tão desinteressantes e caquéticas, como Cavaco, Guterres, Freitas, Sampaio, Soares, etc. etc....talvez por isso, tivesse ficado com um sabor amargo perante uma escrita de tanta excelência para temas tão desactualizados e cinzentões.  

Só a excelente prosa deste grande jornalista e professor de Comunicação determinou que não deixasse o livro a meio, já que Mário Mesquita quase consegue transformar comentários de raiz vincadamente política em interessantes ensaios.

O livro é-nos apresentado de um modo atraente, estando dividido por TEMAS, começando pelo tema PESSOAS, onde são focadas algumas interessantes personagens, como George Steiner, Charles de Gaulle, George Orwell, Jean Paul Sartre, Sigmund Freud, Günter Grass e outras figuras nacionais e internacionais, algumas bem misteriosas, como é o caso do antigo presidente da República Francesa, François Mitterrand que, referindo-se a ele próprio, dizia isto: "Ninguém conhece de mim mais do que um terço...não é por ter coisas a esconder, mas porque sou assim. E não gosto de pessoas transparentes." 
Seguem-se outros temas: MEMÓRIA (o caso Aldo Moro, a pantufa de Proust...), ACONTECIMENTOS (os coleccionadores de cabeças-o caso de Sacavém...), CONJUNTURAS (a esquizofrenia da austeridade...), INSTITUIÇÕES (o S.I.S....), CRISES (o 11 de Setembro de 2001, Timor-Leste, o Iraque...)

São mais de quinhentas páginas contando crise a crise, acontecimento a acontecimento, ocorrência a ocorrência, pessoa a pessoa constituindo uma lição de bem escrever (que pena grande parte dos temas serem tão cinzentos e ultrapassados).


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Mário Mesquita, Açoriano - 1950

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quarta-feira, 1 de março de 2017

"O GÉNIO E A DEUSA" - Jeffrey Meyers - LEITURAS 2017 - IV

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"O GÉNIO E A DEUSA", baseado na longa amizade do autor (JEFFREY MEYERS) com Arthur Miller, é um retrato do casamento deste dramaturgo com Marilyn Monroe (casados entre 1956 e 1961), mas não só... o que sobretudo, mais me interessou neste livro foi o desvendar de mais alguns pedaços duma vida tão atribulada e sofrida e, ao mesmo tempo, tão longa e tão curta de alguém que tanto parecia ter, mas que, afinal, nunca teve aquilo que mais procurou: amor. A vida desta grande figura do cinema (Marilyn Monroe) sempre me interessou.


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. Filmagem às duas e meia da manhã "O PECADO MORA AO LADO"
à saída do Metropolitano de Nova Iorque, uma enorme multidão apareceu para ver

     MARILYN MONROE (não me alimento de quases, não me contento com a metade! Nunca serei a sua meio amiga, ou seu meio amor...é tudo ou nada

A INFÂNCIA:
-Quando nasceu, em Los Angeles a 1 de Junho de 1926, deram-lhe o nome de Norma Jeane Baker, inspirado no de uma actriz popular, Norma Talmage.

Sua mãe, Gladys Monroe, nasceu no México em 1902 e a loucura sempre a perseguiu, vindo a morrer num hospício estatal.
O pai, Stanley Gifford, supervisor de laboratório da indústria cinematográfica, nunca reconheceu a filha nem se disponibilizou para ajudar. 

Norma Jeane passou os seus primeiros sete anos de vida com uma família de acolhimento, os Bolanders, que eram fanáticos religiosos que impunham uma disciplina severa e inflexível.
Quando a mãe tomou conta dela, cujo regime hedonista (aquele/a que considera o prazer como único fim de vida) era a completa antítese do dos Bolanders, transformou completamente a vida quotidiana e os valores morais de Norma Jeane. 
Teve ainda outras famílias de acolhimento, entre estadias em orfanatos pelo meio.

A ADOLESCÊNCIA: 
-Desde que começou a posar para os fotógrafos como uma bonita adolescente, aprendera a tornar-se "Marilyn Monroe" e tinha vivido, numa estranha dissociação, como duas mulheres. Uma era a rapariga vulgar que queria uma vida familiar estável, com amigos, casamento e filhos; a outra era o ídolo do cinema e a deusa do sexo, com a figura de ampulheta, lábios brilhantes e cabelo louro.   

MARILYN MONROE E OS KENNEDYS:
-Para John Kennedy, Marilyn era apenas mais um (dos muitíssimos) engates e nunca gostou dela, ao contrário de seu irmão, Bobby Kennedy, que esteve mesmo apaixonado por MM e que, também ao invés de John, era meigo, querido e brincalhão.


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MARILYN MONROE EM HOLLYWOOD:
-Marilyn, uma hedonista desinibida, sempre disposta a dormir com homens que pensava poderem ajudá-la.
Em 1951, assinou contrato com a FOX. Obteve pequenos papéis, muitas vezes em troca de favores sexuais a homens influentes.  
Orson Wells chamou a atenção para o facto de quase toda a gente em Hollywood ter dormido com ela.
Em 1953, contra as expectativas. atingiu o estrelato.  

MARILYN MONROE E OS LIVROS:
-Marilyn possuía 400 livros de escritores americanos e ingleses e de outros países europeus. Folheava revistas e lia argumentos de filmes, mas a sua última secretária nunca a viu a ler nada senão romances baratos de Harold Robbins. Seu marido, Arthur Miller, confirmou que, possivelmente à excepção de "Chérie" de Colette e de alguns contos, nunca deu por que ela lesse fosse o que fosse. Mas estava decidida a melhorar os seus conhecimentos pois queria compreender as conversas sobre livros.
Marilyn não só lia poesia, mas também a escrevia para expressar os seus conhecimentos quando estava deprimida.


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MARILYN E UM DOS SEUS GRANDES DEFEITOS:
-Se a grande força de MM era o desejo de aprender, a sua grande falha pessoal e profissional eram os atrasos crónicos. Nunca chegava a tempo e os atrasos eram mesmo de muitas horas mostrando uma total falta de consideração pelos que com ela trabalhavam não querendo tão pouco saber dos milhões que tais atrasos implicavam no custo total do filme. Era, neste caso, mal educada, mesquinha, indelicada e completamente egoísta.

MARILYN E O SEXO:
-Séria e ingénua, Marilyn considerava o sexo com ligeireza e oferecia como recompensa o único bem de que dispunha. O sexo era a sua maneira de dizer obrigado. Entre final da década de 1940/década de 1950-doze abortos provocados; seguiram-se, até ao fim da vida, outros abortos espontâneos.
-Uma garota sábia beija mas não ama, escuta mas não acredita e parte antes de ser abandonada (Marilyn Monroe)-

 A MORTE DE MARILYN:
-O relatório da autópsia afirmava que ingerira entre quarenta a cinquenta Nembutals e um grande número de comprimidos de cloral. A causa da morte foi envenenamento agudo de barbitúricos. Ingestão de overdose. O óbito foi declarado às 3h50 da manhã de domingo 5 de Agosto de 1962.
Apesar do relatório da autópsia ser concludente, as muitas mentiras que rodearam o suicídio de MM tornaram evidentes as tentativas de encobrimento com o objectivo de ocultar qualquer delito e esconder a sua relação íntima com os Kennedys.  
Pode ter morrido de uma overdose acidental, ter-se tratado de um suicídio deliberado ou (como alguns pensam) ter sido vítima de um homicídio com motivações políticas. Nunca teremos a certeza.

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Marilyn Monroe é encontrada morta no seu quarto a 5 de Agosto de 1962

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Cesário I, Cesário II, Cesário III, José Maria I, José Maria II ...


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Cesário I, Cesário II, Cesário III, José Maria I, José Maria II e José Maria III, Fernando Mendonça, João Mendonça e Jorge Mendonça (Sporting de Braga); Garcia, Coureles e Picareta, Manteigueiro e Cafum, Lãzinha e Couceiro (Sporting da Covilhã); Vital, Teotónio, Batalha, Caraça, Flora e Falé, José Pedro, Patalino (Lusitano de Évora)...toda esta galeria de nomes (e rostos) fazia parte dos bonecos da bola que alegraram a minha infância e que ainda estão bem vivos na minha memória. Todos estes bonecos eram colados em cadernetas (normalmente com farinha, na falta de cola) que constituíam a nossa felicidade quando completadas o que não era nada fácil; o "boneco da bola" -que estava colado no fundo da lata- e que normalmente saía "à casa", e que, por ser o último, valia uma bola de caut-chug (algo que, na altura, sair-nos em sorte seria como se nos saísse a sorte grande).   

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Coureles (e não Courelas)
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Couceiro


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Pois foi esta "bela memória" que, na última sexta-feira, revi numa interessante exposição que está actualmente patente em Lisboa, na Biblioteca Nacional de Portugal (ao Campo Grande), que, para além dos bonecos da bola, apresenta outros cromos que igualmente povoaram (e adocicaram) a minha infância, como a célebre "RAÇAS HUMANAS", "EMBLEMAS DESPORTIVOS", "HISTÓRIA NATURAL", "BANDEIRAS MUNDIAIS", "HISTÓRIA DE PORTUGAL", "ARTISTAS DE CINEMA" e outras interessantes colecções que eram autênticas mostras de carácter enciclopédico.


Esta bela exposição dedicada ao cromo em Portugal, para além das colecções nacionais expostas, inclui também edições estrangeiras, com ela relacionadas, ilustrações originais, uma máquina (manual) de fabricar rebuçados, latas de caramelos, brindes das colecções...reminiscências com história de um quotidiano nacional cuja memória merece ser conservada. 

Uma excelente iniciativa apresentada pela Biblioteca Nacional com o apoio do Clube Português da Banda Desenhada que representa um evento digno de nota e que vale a pena ver.

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Cadernetas de cromos

100 anos do cromo colecionável em Portugal

EXPOSIÇÃO | 1 fev. '17 | 19h15 | Galeria do Auditório | Entrada Livre / até 29 abr. '17

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

"A BIBLIOTECA À NOITE" - ALBERTO MANGUEL - LEITURAS 2017 - III

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ALBERTO MANGUEL é um entusiasta do prazer dos livros, e o seu entusiasmo, está aqui exposto ao abordar a Biblioteca de todas as maneiras e feitios, seja a Biblioteca como Mito, como Ordem, como Espaço, como Poder, como Sombra, como Forma, como Acaso, como Oficina, como Mente, como Ilha, como Sobrevivência, como Esquecimento, como Imaginação, como Identidade e até a Biblioteca como Lar.

Efectivamente, Alberto Manguel, um dos maiores bibliófilos do mundo, a partir da sua mítica biblioteca pessoal, com mais de 40 mil livros num antigo presbitério em França, conta-nos tudo o que sabe sobre a história, o fascínio e os enigmas das bibliotecas, para além de nos contar belas histórias também sobre leitores. A copiosa biblioteca de Charles Dickens, o catálogo imaginário de Colette e tantos outros.

É um livro para quem gosta de livros, para quem tem a paixão da leitura, não será certamente um livro para quem apenas lê um livro de vez em quando, isso não.

Os livros queimados, os livros não lidos, os livros proibidos, a falta de espaço, a arrumação dos livros, os livros esquecidos que quando menos esperamos voltam a ser uma novidade quando afinal já os possuímos há tanto tempo, uma fotografia que já havíamos esquecido nas páginas de Pearl Buck, uma nota de vinte escudos dentro de um John Steinbeck, um bilhete de eléctrico cor de rosa velho entre as páginas do rei verde do P. L. Sulitzer, são situações que, de algum modo, são abordados neste belo livro.

Este é um daqueles livros que, não sendo de modo nenhum um livro fácil, não é um livro de uma só leitura é um livro que, tenho a certeza, irei voltar a ele com muita frequência, porque é um livro em que na primeira leitura muita coisa ficará por descobrir.

Alberto Manguel é um autor extremamente versátil: ensaísta, ficcionista e tradutor mas conheço-o fundamentalmente como o mais cativante, o mais eclético, o mais criativo de todos os ensaístas da actualidade e sobretudo um entusiasta que mais fala de livros do prazer dos livros, embora, por vezes, na minha perspectiva um pouco académico.


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Alberto Manguel  1948  - Buenos Aires

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

ARGUS

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Quando ontem me desloquei ao cemitério da Amadora, tive a felicidade de observar uma cena que paradoxalmente me paralisou e me marejou os olhos: deitado junto à campa do dono estava um cão que ali se mantinha e ladrava a quem se aproximava do dono; foi uma cena que me comoveu e que cimenta ainda mais o meu amor pelos animais; os seus latidos mais pareciam lamentos e choros de não ver fisicamente o seu dono.

Não sei se se chamaria Argus mas fez com que me lembrasse de Ulisses que, depois do longo exílio, volta a casa (à sua ilha de Ítaca) disfarçado de mendigo sendo reconhecido apenas por Argus, o seu cão, já bem velho, sem forças para fazer mais do que abanar o rabo ao reencontrar o dono. Ulisses então chora, e as lágrimas provocadas pela saudação de Argus dão a medida da cumplicidade que infelizmente apenas parece possível entre cães e homens.

Uma cena inesquecível ao olhar a tristeza daquele animal que não voltará a sentir a alegria de ser acarinhado pelo dono, não mais pode correr em volta dele para o levar a passear.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

MIGUEL TORGA - Diário Vols. V e VI - LEITURAS 2017 - II

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Estes diários (vols. V e VI) foram escritos entre Abril de 1949 e e Maio de 1953, já lá vão portanto cerca de 60 anos e, no entanto, continua a ser uma leitura actual porque a mestria, o saber e o génio dum grande escritor estão aqui presentes, todos os dias.
Situações que aconteceram há sessenta anos mas que poderiam perfeitamente estar a acontecer nos dias de hoje.

Nestes diários tomo sempre muitas notas, por exemplo, esta, muito curiosa:

  - um escritor como Eça de Queiroz, o mais púdico dos nossos artistas — tão púdico que até as inofensivas intimidades da sua vida cobria dum véu literário—, não teria dito tudo? Ficaria dele algum segredo escondido? Alguém precisa ainda de saber mais?

  - o homem que não se revolta não cria. Puxa o carro da rotina.

  - (falando - em 1951- de um leitor, seu doente-); -um homem capaz ainda de se debruçar sobre um poema, atento e enlevado horas a fio. A vida levou nos seus braços velozes a calma dos dias passados, que dava para fazer passeios, pelos campos e pelos livros. Agora reduziu tudo ao essencial, ao caldo e às batatas, e só verdadeiros heróis, sujeitos deformados e anacrónicos, têm necessidade de ler e meditar. Por isso é preciso acarinhar estes fenómenos. E não tanto pela arte, que, afinal, se não é precisa não tem nada que fazer no mundo, mas por eles, que são doentes diferentes, condenados paladinos duma causa perdida.

  - ninguém faz inteiramente o que quer, diz tudo o que pensa, ou pensa exactamente como procede.

  - a nossa velhice é que envelhece as coisas.

Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha - 1907-1995 - era médico; ainda conheci o seu consultório na baixa de Coimbra, creio que num segundo andar, mesmo em frente ao antigo BNU e muito perto da estação dos caminhos de ferro.


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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

"OURO E CINZA" - PAULO VARELA GOMES - LEITURAS 2017 - I

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Comprei este livro dois meses depois de ter ocorrido a morte deste escritor, professor, historiador de arquitectura e antigo delegado em Goa da Fundação Oriente— Paulo Varela Gomes, que morreu, vítima de cancro, a 30 de Abril de 2016.

Mas só agora o li, aliás, como é quase norma minha, pois geralmente conservo os livros em lista de espera e todos os dias vou olhando para a estante prevendo uma data próxima para os ler e com este aconteceu agora, meio ano depois de o ter comprado (na última Feira do Livro de Lisboa).

É um bonito livro de crónicas (até na capa, no volume, no papel), pequenas como eu gosto (uma, duas páginas, no máximo). A maioria destas crónicas foram escritas na Índia (sobre a Índia actual) e o autor dá-nos a conhecer uma Índia (Deli, Bombaim, Goa...) a fazer lembrar-me o Algarve pois a destruição do património, a destruição das vilas e aldeias tem sido catastrófica também naquela zona do globo (lá está...a tal globalização) com a invasão do betão em tudo quanto é sítio onde os patos-bravos (lá como cá) possam fazer uso da sua ganância, assim transformando cidades como Deli numa mancha de retalhos metropolitana com vinte milhões de habitantes e um lugar onde se misturam cidades e aldeias medievais com cidades-jardim europeias, bairros de prédios cercados de muros, pedaços de floresta cheios de macacos e shoppings inacreditavelmente luxuosos, mercados de rua de todas as espécies, residências com piscinas e jardins sumptuosos, bairros de lata miseráveis.  


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Paulo Varela Gomes  1952-2016

nota 4  -  bom

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

BALANÇO DAS LEITURAS 2016

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Início a lista dos livros que li em 2016 com o que mais gostei; pontuo-os pela tabela que costumo utilizar aqui:


  1. A SANGUE FRIO - Truman Capote - 6
  2. REFLEXOS NUM OLHO DOURADO - Carson McCullers - 6
  3. A HARPA DE ERVAS - Truman Capote - 5
  4. LUZ EM AGOSTO - William Faulkner - 5
  5. A GUERRA DO FIM DO MUNDO - Mário Vargas Llosa - 4
  6. BUTCHER´S CROSSING - John Williams - 4
  7. O ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON - F. Scott Fitzgerald - 4
  8. PALAVRAS E INSPIRAÇÕES DE MARTIN LUTHER KING - SONHO  -  4
  9. OBLOMOV - O MAGNÍFICO PREGUIÇOSO - Ivan Goncharov  - 4
  10. FRANKIE E O CASAMENTO - Carson McCullers - 4
  11. A SENDA ESTREITA PARA O NORTE PROFUNDO - Richard Flanagan - 4
  12. CONTRA BERNARDO SOARES E OUTRAS OBSERVAÇÕES - Vasco da Graça Moura - 3,5
  13. HISTÓRIA(S) DO ESTADO NOVO - Marcelo Teixeira - 3,5
  14. ERNESTINA - J. Rentes de Carvalho - 3,5
  15. HISTÓRIAS DE VER E ANDAR - Teolinda Gersão - 3,5
  16. ÍNDICE MÉDIO DE FELICIDADE - David Machado - 3,5
  17. DIÁRIO - Vols III e IV - Miguel Torga - 3,5
  18. "conta-corrente" nova série IV- Vergílio Ferreira - 3,5
  19. BONECA DE LUXO - Truman Capote - 3,5
  20. O CERCO - Helen Dunmore - 3,5
  21. CONTOS COMPLETOS I - John Cheever - 3,5
  22. A CANETA QUE ESCREVE E A QUE PRESCREVE (medicina e literatura) - 3,5
  23. O SILÊNCIO DOS LIVROS - George Steiner - 3,5
  24. O DISCURSO SOBRE O FILHO DA PUTA - Alberto Pimenta - 3,5
  25. SÚPLICAS ATENDIDAS - Truman Capote - 3,5
  26. A GUERRA QUE PORTUGAL QUIS ESQUECER - Manuel Carvalho - 3,5
  27. A VIAGEM VERTICAL - Enrique Vila-Matos - 3,5
  28. A PRIMEIRA PESSOA - Pedro Mexia - 3
  29. O PEQUENO LIVRO DO GRANDE TERRAMOTO - Rui Tavares - 3
  30. AMOR QUE MATA - Rosa Montero - 3
  31. MENTIRA - Henrique de Hériz - 3
  32. "UM POSTAL DE DETROIT" - João Ricardo Pedro - 3
  33. OS ÚLTIMOS DIAS DO REI - Nuno Galopim - 3
  34. DORA BRUDER - Patrick Modiano - 2
  35. NOVO MUNDO MUNDO NOVO - António Ferro - 2
  36. UMA HISTÓRIA DA CURIOSIDADE - Alberto Manguel - 2
  37. ESTRADA DE MORRER - Urbano Tavares Rodrigues - 2
  38. O GRANDE REBANHO - Jean Giorno - 1
  39. O IMPOSTOR - Javier Cercas - 1
  40.  O FIM DO HOMEM SOVIÉTICO - Svetlana Aleksievitch - 1
  41. A PROFECIA CELESTINA - James Redfield - 1
  42. UM PINGUIM NA GARAGEM - Luís Caminha - 0
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sábado, 7 de janeiro de 2017

"LUZ EM AGOSTO" - WILLIAM FAULKNER - LEITURAS 2016 XLII

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Parti para a leitura deste livro com alguma "cautela" pois um amigo tinha-me avisado que se tratava de um escritor difícil.

E essa dificuldade confirmou-se mas, ao mesmo tempo, descobri mais um grande escritor, cujo primeiro livro que li foi este.

"LUZ EM AGOSTO" é um grande, intenso, poderoso e perturbante livro em que está devidamente dimensionada a crueldade humana, a tragédia do que foi o racismo na América, as relações humanas, toda a sua complexidade estão efectivamente neste livro tão bem descritos.

Gostei imenso deste livro, uma leitura que chega, por vezes, a ser perturbante, sempre ansioso da página seguinte pelo que irá acontecer e que drama se irá desenrolar.

Se Joe Christmas é a personagem central, um branco que acredita ter sangue negro, atormentado pela falta de identidade e sofrendo todo o tipo de violência e intolerância racial no Sul dos Estados Unidos, a orfã, que abre abre magistralmente este livro (é dos melhores inícios que li), que já vem do Alabama procurando o homem que a abandonou grávida, será a personagem secundária que acompanhamos ao longo de toda esta grande obra.

Alguém escreveu: Há escritores que escrevem grandes livros. Há outros mais raros, que instauram mundos. William Faulkner pertence a essa linhagem. É num ambiente de fracasso, culpa, preconceito e fanatismo religioso que se debatem os personagens de "Luz em Agosto", todos em busca do seu lugar num mundo que reservou para eles um destino trágico."

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William Faulkner -  1897 - EUA - 1962

-nota.-foi este o último livro que li em 2016 (o 42º.)-

nota 5  - muito bom

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